Crise Global de Água Doce Ameaça 3 Bilhões de Pessoas em 2026

Escassez de água atinge níveis críticos
Um relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que cerca de 3 bilhões de pessoas em todo o mundo já sofrem com a falta de água doce. O estudo, coordenado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), aponta que a crise hídrica se agravou nos últimos cinco anos devido às mudanças climáticas, ao crescimento populacional e à má gestão dos recursos naturais. O Brasil, com suas extensas bacias hidrográficas, figura entre os países mais vulneráveis, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou a situação como ‘alarmante’ e pediu ações imediatas dos governos. ‘A água é um direito humano, mas está se tornando um privilégio para poucos’, declarou. Guterres destacou que, sem medidas urgentes, a escassez pode gerar conflitos e migrações em massa.
Os dados mostram que a demanda global por água doce deve superar a oferta em 40% até 2030. Entre as principais causas estão a poluição de rios e aquíferos, o desperdício na agricultura, que consome 70% de toda a água captada, e a falta de infraestrutura para tratamento e distribuição. O relatório também aponta que países como Índia, Paquistão, Egito e México estão entre os mais críticos.
No Brasil, o cenário é preocupante. O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da região metropolitana de São Paulo, opera com apenas 20% de sua capacidade. Governos estaduais e federal anunciaram planos de investimento em dessalinização e reúso de água, mas especialistas criticam a lentidão das obras. A população mais pobre é a mais afetada, com cortes no fornecimento e aumento nos preços da água tratada.
A ONU recomenda que os países adotem políticas de conservação, invistam em tecnologias sustentáveis e promovam a cooperação internacional para compartilhar recursos hídricos transfronteiriços. ‘Precisamos de uma mobilização global semelhante à que tivemos para combater as mudanças climáticas’, afirmou a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen

