Clima Extremo Redesenha Mapa de Riscos Globais em 2026

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta terça-feira, apresenta um panorama alarmante sobre os impactos das mudanças climáticas no cenário global. Pela primeira vez na história, eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e tempestades, superaram os conflitos armados como principal causa de deslocamento forçado de populações em todo o mundo.

Segundo o estudo, intitulado ‘Riscos em Movimento’, mais de 30 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas em 2025 devido a desastres naturais, número que representa um aumento de 42% em relação ao ano anterior. A região do Chifre da África, a Ásia Meridional e a América Central foram as mais afetadas, com uma combinação de secas prolongadas, enchentes devastadoras e tempestades cada vez mais intensas.

A diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Maria Elena Rodriguez, alertou que ‘a comunidade internacional está diante de uma nova era, onde a crise climática se tornou a principal força motriz do sofrimento humano’. Ela destacou que os países mais pobres, que menos contribuíram para as emissões de gases de efeito estufa, são os que mais sofrem com as consequências.

O relatório também aponta para um fenômeno preocupante: o aumento do número de ‘refugiados climáticos’ que cruzam fronteiras internacionais em busca de segurança. Estima-se que, até 2030, esse número possa chegar a 200 milhões, pressionando os sistemas de asilo e imigração em todo o mundo.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para discutir o assunto na próxima semana, defendendo a criação de um novo tratado internacional para proteger essas populações. ‘Não podemos mais tratar a migração climática como um problema secundário. É uma crise humanitária que exige uma resposta global coordenada e urgente’, afirmou.

A comunidade científica internacional reforça que os eventos extremos estão se tornando mais frequentes e mais intensos, e que medidas de mitigação e adaptação são insuficientes. Organizações não governamentais de direitos humanos denunciam a lentidão dos governos em agir, cobrando compromissos mais ambiciosos de redução de emissões e financiamento para os países em desenvolvimento.

Especialistas acreditam que o estudo da ONU deve servir como um alerta decisivo para as negociações climáticas que ocorrerão no final deste ano, na Conferência das Partes (COP) em Quito, no Equador. A expectativa é de que os países apresentem planos mais agressivos para limitar o aquecimento global a 1,5°C, conforme estabelecido no Acordo de Paris.

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