Cúpula do Clima em Belgrado: Acordo Inédito ou Mais Promessas Vazias?

Cúpula do Clima em Belgrado: Acordo Inédito ou Mais Promessas Vazias?
Belgrado, Sérvia — A capital sérvia tornou-se o epicentro das discussões climáticas globais esta semana, sediando a Cúpula do Clima de 2026. Com a presença de mais de 100 líderes mundiais, o encontro busca fechar um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris, estabelecendo metas juridicamente vinculantes para redução de emissões até 2040. A conferência, que ocorre em meio a ondas de calor recordes na Europa e enchentes na Ásia, é vista como a última chance para evitar os piores cenários das mudanças climáticas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, abriu os trabalhos com um discurso contundente, pedindo ação imediata e condenando o que chamou de “lobby dos combustíveis fósseis”. “Não podemos negociar com o planeta. A ciência é clara: ou agimos agora ou enfrentaremos consequências irreversíveis”, declarou. Porém, divergências entre países desenvolvidos e em desenvolvimento sobre financiamento climático e transferência de tecnologia ameaçam paralisar as negociações.
A China e os Estados Unidos, principais emissores globais, sinalizaram disposição para reduzir emissões, mas condicionaram suas metas a investimentos em energias renováveis e à criação de um fundo de compensação para nações pobres. Já a União Europeia pressiona por cortes mais profundos até 2030, enquanto o Brasil, anfitrião da COP30 em 2025, defende o papel das florestas na captura de carbono.
Ativistas do movimento Fridays for Future, inspirado por Greta Thunberg, protestam diariamente nas ruas de Belgrado. “Este é o nosso futuro. Eles não podem falhar conosco”, gritava uma jovem manifestante. A cúpula, que termina na sexta-feira, já é considerada a mais crucial desde Paris, em 2015.

