Crise Global da Água: 2,2 Bilhões de Pessoas Sem Acesso Seguro em 2026

Escassez e Poluição Ameaçam Metade da População Mundial

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta quarta-feira, alerta que a crise global da água atingiu níveis críticos em 2026. De acordo com o documento, cerca de 2,2 bilhões de pessoas não têm acesso a água potável segura, e 3,6 bilhões vivem em regiões com escassez hídrica por pelo menos um mês por ano. A situação é mais grave na África Subsaariana, Sul da Ásia e Oriente Médio.

O relatório, intitulado Água para Todos: Urgência e Ação, foi apresentado durante a Conferência Mundial da Água em Estocolmo. A diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a queniana Ilana Ferreira, afirmou que ‘a inação política e o investimento insuficiente estão agravando a crise’. Ela destacou que, até 2030, a demanda por água doce deverá superar a oferta em 40%.

Causas e Consequências

As principais causas apontadas são as mudanças climáticas, o crescimento populacional, a urbanização desordenada e a poluição industrial. A agricultura, que consome 70% da água doce global, também é um fator crítico. Entre as consequências, estão conflitos por recursos hídricos, migrações forçadas e aumento de doenças transmitidas pela água, como cólera e dengue.

O relatório cita casos emblemáticos: na Índia, o aquífero de Rajasthan está quase esgotado; no Brasil, a seca histórica na Amazônia afeta comunidades ribeirinhas; e na África, o Lago Chade encolheu 90% desde 1960. ‘A crise é global, mas os mais pobres são os mais afetados’, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em vídeo exibido na conferência.

Ações Urgentes

O documento recomenda um investimento adicional de US$ 300 bilhões anuais em infraestrutura hídrica, além de políticas de conservação, reuso de água e tecnologias de dessalinização. Também pede que os países cumpram as metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6): água limpa e saneamento para todos até 2030.

Ativistas ambientais, como a jovem sueca Greta Thunberg, criticaram a lentidão dos governos. ‘Temos a tecnologia, mas falta vontade política’, escreveu em suas redes sociais. A conferência termina na sexta-feira sem expectativa de acordos vinculantes.

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